O mês do Advogado e uma reflexão sobre o profissional do futuro

O Dia do Advogado foi comemorado em 11 de agosto. Nada melhor do que esta data para refletir sobre que tipo de profissional somos hoje e qual o tipo de profissional que queremos ser amanhã. E digo amanhã porque pensar em um futuro longínquo já nos torna pouco eficazes. Nosso dia segue tendo 24 horas, mas as necessidades de transformação mudam a cada segundo e precisamos estar preparados, de coração e mente abertos para receber, absorver e nos adequar.

Um advogado que se formou há cinco anos já não é mais o mesmo hoje e certamente já teve que se reinventar inúmeras vezes, mesmo que seja considerado um jovem advogado.

A tecnologia está esmurrando em nossa porta e em um primeiro momento nos enlouqueceu (e ainda está enlouquecendo alguns). Muitos enfrentaram esse momento como se fosse um apocalipse, não o zumbi, mas como se estivéssemos a poucos passos de sermos extintos por máquinas que pensariam melhor do que nós e executariam nossas tarefas como ninguém. Bom, as coisas não são assim e certamente não devem ser encaradas dessa maneira. Seremos substituídos em algumas tarefas sim, mas com isso voltaremos a ser mais humanos, desempenhando as tarefas que só nós, humanos, temos capacidade de desempenhar.

Mas hoje não quero falar em tecnologia, essa nossa aliada monstruosa. Hoje quero falar sobre o perfil do profissional. Qual o perfil de profissional que as universidades estão colocando no mercado? Será que este perfil universitário é o mesmo perfil que a sociedade necessita?

Na faculdade aprendemos as leis, desvendamos os ritos e conhecemos os entendimentos. Mas nesta mesma faculdade ninguém nos conta sobre a vida de advogado, essa que começa quando temos o canudo nas mãos e se efetiva no momento em que nossa carteira finalmente nos é entregue.

A faculdade não nos prepara para as exigências do mundo real. Não há spoiler em relação ao que está por vir, pois ninguém nos conta que a vida real nos exigirá empreendedorismo, gestão de negócios, conhecimentos interdisciplinares, coerência, inteligência emocional, parcimônia e diplomacia.

Nada disso nos é transmitido. Na faculdade somos preparados para batalha, para sermos combativos e no final das contas, quando nos damos de conta, estamos fóruns à fora derramando bile, exalando ódio, sem inteligência nenhuma e nos transformando em profissionais que entendem muito de leis e pouco de ser humano, de relações humanas, ou seja, obsoletos.

 

O advogado do futuro, em um primeiro plano, deve entender que quando um cliente lhe procura ele não quer – necessariamente – uma demanda judicial. Ele procura o advogado para que este lhe aponte uma solução para o seu problema e a judicialização não é a única via de resolução de conflitos.

Aliás, na era da justiça restaurativa, conciliação, mediação e arbitragem, seria até uma heresia alegar que a via judicial objetiva seria a única via de solução de conflitos, já que até mesmo o judiciário tem se preocupado mais e dado maior importância às relações humanas.

O perfil do advogado do futuro é objetivo no que tange o conhecer da legislação, ele conhece as leis e sabe como usá-las. Além disso este profissional é, sobretudo, humano, sabe ser combativo no momento que tem de ser, mas entende que o processo não é um campo de batalhas de onde alguém sairá morto. O novo perfil da advocacia entende que o problema do cliente é do cliente e não seu, assim como que toda relação jurídica tem um fio sentimental que a envolve.

Saber entender os sentimentos do cliente e redirecioná-los de maneira inteligente, certamente será uma característica valiosa. Lançar mão da advocacia colaborativa, da conversa, da plenitude das relações, das boas negociações, será o maior investimento que poderá ser feito pelo profissional.

Enfim, indo contra a maré de que a robotização extinguirá a advocacia (se acalmem, nós não seremos extintos!), é seguro dizer que a advocacia de sucesso do presente e do futuro é e será a de profissionais humanos que entendam seus clientes, humildes em entender que o aprendizado não termina nunca e que busca, além de solucionar os problemas dos seus clientes, conservar suas relações através de boas conversas que geram acordos satisfatórios para todas as partes envolvidas.

Finalizo com as perguntas que ditam nossa construção humana e profissional: Onde você está? Onde você quer estar? Quem você é? Quem você quer ser? Você está dando o seu melhor, de verdade?

Já se respondeu? Perfeito, agora é hora de agir…

 

Texto: Marília Vargas

Edição: Jonnathan Tibes